6.1.2009
| 13h00m
COMENTÁRIO POLÍTICO
O desafio de Lula em 2009
O ano de 2009 será decisivo para a formação do cenário da sucessão presidencial. Não por acaso, o presidente Lula mudou a sua estratégia e resolveu antecipar a disputa de 2010. Foi uma avaliação pragmática. Ele percebeu que estava perdendo espaço para o candidato de oposição, o governador tucano José Serra (SP) que aparece na liderança das pesquisas.
Por isso, Lula lançou precocemente o nome da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O presidente quer consolidar o nome da ministra dentro do PT e ao mesmo tempo, atingir o grande público. Por mais que o presidente diga que ainda não falou com Dilma sobre o tema, a campanha já está na rua.
Tanto que a primeira reação já surgiu dentro da base aliada. O aliado e ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, avisa que pode não concordar com o projeto do PT para 2010 e também entrar na disputa. Por isso, a partir de agora, o grande desafio de Lula é conseguir unir a base governista em torno de um grande projeto. E o do governador José Serra é o de atrair para o seu palanque o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
* Gerson Camarotti é jornalista da sucursal de O GLOBO em Brasília e comentarista político da Globo News.
6.1.2009
| 12h00m
MOMENTO MUSICAL
Live Aid - Mick Jagger & Tina Turner
6.1.2009
| 9h21m
OPINIÃO
Primeira conversa
LUIZ GARCIA
Pois é, senhor moço prefeito, não sei se já deu para perceber, mas a festa acabou. Como numa quarta-feira de carnaval antigo, confete e serpentina são agora lixo no chão. E, com ou sem ressaca de réveillon, chegou a hora do batente. Como é que vai ser?
Todo mundo espera alguma coisa de novo; acima de tudo, diferente do sistema de administração pela ausência a que o Rio foi submetido nos últimos anos.
Não se nega originalidade ao fenômeno Cesar Maia. Ele foi, ou pelo menos pareceu ser, um prefeito competente e imaginoso no primeiro mandato. Mas, em quase toda a segunda gestão, sem aviso ou pretexto, mostrou-se administrador ausente ou suspeito.
Até agora o Rio não sabe se testemunhou uma transformação radical ou um engodo a longo prazo. Em qualquer hipótese, o carioca é hoje um animal político bastante ressabiado. Ele sabe que o novo prefeito começou carreira na vida pública como aprendiz do Cesar do bem e pulou para o primeiro plano como adversário do outro Cesar. Quem sabe, isso é bom augúrio para Eduardo Paes, que, pode-se imaginar, estaria assumindo a prefeitura com dois a zero em seu favor, num contexto político. Isso talvez não queira dizer coisíssima alguma. Mas soa bem.
Outra incógnita: o novo prefeito será principalmente um administrador municipal? Ou um apostador a mais no grande cassino federal? Pensará quase exclusivamente nos problemas locais — trânsito, moradia, segurança, lixo — ou estará mais preocupado em acertar na roleta?
Ele é suficientemente moço para jogar a longo prazo: ganhar fama na esfera local e com isso adquirir fichas para, mais adiante, meter-se no grande jogo nacional.
Quase meio século atrás, quando o Rio tinha nome de estado mas as mesmas dimensões do município de hoje, foi a boa gestão no então Estado da Guanabara que deu a Carlos Lacerda boa parte do cacife que o transformou em líder nacional, pelo menos até a instalação do regime militar. Seria Lacerda, mais do que o primeiro Cesar, o modelo de Paes?
O estado e o país mudaram muito, e bote-se muito nisso, desde aquele tempo. Não há paradigmas, paralelos ou exemplos que sirvam de pistas para o que nos espera depois da próxima curva.
Sem falar na crise financeira mundial e no seu impacto sobre cofres modestamente municipais em qualquer parte do planeta.
Todo esse blablablá, como já deu para notar, conduz a singela conclusão: faltam indícios confiáveis para sairmos por aí fazendo previsões sobre a gestão do novo prefeito carioca. Ele chega com a vantagem considerável de suceder a uma administração omissa em grau extremo. Pode ganhar sem problemas nas comparações, pelo menos nos primeiros tempos da gestão. Mas, devido ao tamanho de buracos — inclusive os propriamente ditos —, também não lhe será fácil recuperar a imagem da prefeitura antes de cair, metafórica ou dolorosamente, em algum deles.
Texto publicado no Globo de hoje.
5.1.2009
| 19h39m
JORNAL NACIONAL
As principais notícias desta segunda-feira
5.1.2009
| 12h40m
CHOQUE DE ORDEM
Segunda de choque no Rio de Janeiro
A prefeitura do Rio deu início hoje a operação choque de ordem na cidade. Alguns focos da operação são: O combate ao transporte pirata, retirada de camelôs das ruas e impedir que moradores de rua acampem em áreas públicas da capital carioca. Saiba mais sobre o assunto em: Começam operações de choque de ordem no Rio.
Ouça a informação abaixo.
5.1.2009
| 12h25m
MOMENTO MUSICAL
How Can I Go On Live - Freddie Mercury e Monserrat Caballe
5.1.2009
| 9h39m
INSS
Aposentadoria em 30 minutos
A partir de hoje, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estará apto a conceder aposentadoria por idade para os trabalhadores urbanos em apenas 30 minutos.
No último dia 31, foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto 6722/08, que alterou o Regulamento da Previdência Social e possibilitou o reconhecimento automático de direitos.
A análise de benefícios levará em consideração os dados referentes a vínculos e contribuições existentes no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Segundo o Ministério da Previdência Social, gradualmente, os dados estarão disponíveis para a concessão dos demais benefícios.
Em março, será possível conceder aposentadoria por tempo de contribuição para trabalhadores urbanos e, em julho, a concessão de aposentadoria por idade para trabalhadores rurais.
De acordo com o ministério, quando o trabalhador requerer a aposentadoria por idade, o servidor do INSS emitirá um extrato com todas as informações de sua vida laboral que constarem do cadastro.
Todas as contribuições e vínculos empregatícios serão considerados para o cálculo do benefício. Se o trabalhador notar a existência de lacunas no seu cadastro, poderá solicitar a inclusão de dados, mas terá que comprovar sua legalidade por meio de documentos. (Agência Brasil)
5.1.2009
| 9h30m
OPINIÃO
O crepúsculo de Greenspan
PAULO GUEDES
"O que causou a crise financeira? O que a prolongou? Por que piorou de forma tão dramática mais de um ano após seu início?", pergunta o professor de Stanford John Taylor, em "A crise financeira e a política econômica: uma análise empírica do que deu errado" (2008).
Mesmo reconhecendo que "raramente existe uma resposta única para tais perguntas em economia", o especialista é implacável em seu diagnóstico: "Há evidências de que ações do governo e suas intervenções causaram, prolongaram e fizeram piorar a crise financeira."
Examinando os fatos em busca da origem dos problemas, Taylor reafirma "a explicação clássica de que as crises financeiras são causadas por excessos monetários, inflando bolhas até seu inevitável estouro". Atribui tais excessos monetários aos desvios do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, documentados "em transparente linguagem: os juros permaneceriam baixos por um período consideravelmente longo e subiriam lentamente, a um ritmo bastante moderado".
Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, também fustiga o ex-presidente do Fed Alan Greenspan, em "O retorno da economia da depressão e a crise de 2008" (2009). Apesar de atribuir a crise à descontrolada expansão de crédito por um sistema financeiro "paralelo", de instituições financeiras não-regulamentadas com alto grau de alavancagem, a condenação é explícita no capítulo 7, intitulado "As bolhas de Greenspan": "Em apenas três anos, o nome de Greenspan foi à lama. A ascensão e queda de sua reputação é a história de autoridades que acreditavam ter tudo sob controle até descobrirem que nada controlavam. Alertou para a exuberância irracional nas bolsas e nada fez a respeito. Estimulou, com juros muito baixos, a bolha imobiliária. E ignorou a mudança estrutural do sistema financeiro, que expandiu o crédito por meio de novas instituições atuando à sombra da desregulamentação."
Como a economia mundial acelerou por cinco anos ininterruptos em marcha sincronizada ao som dos excessos do Fed, é natural que se espere agora uma forte desaceleração do ritmo de crescimento global. Se 2008 foi o ano em que ruíram os mercados financeiros, 2009 é esperado como o ano do desabamento da produção e do emprego. A desaceleração econômica global é inevitável, mas, com o tempo, observaremos que os efeitos sobre a produção e o emprego serão assimétricos. Por isso tenho insistido em caracterizar esta crise como "made in USA", onde agora se teme que ocorram seus mais devastadores efeitos sobre a atividade econômica.
Confrontado por uma avalanche de evidências desfavoráveis e perguntado sobre os erros que poderia ter cometido à frente do Fed, Greenspan não mostrou qualquer senso de autocrítica: atribuiu toda a culpa da crise aos mercados — que estimulou artificialmente e manteve desregulamentados em suas manipulações macroeconômicas. Trágico crepúsculo.
Texto publicado no Globo de hoje.
1.1.2009
| 21h20m
MÚSICA 24 HORAS
Moreno FM
Querido ouvinte, a Rádio do Moreno volta na segunda-feira ou a qualquer momento, com entrevistas, músicas e boletins exclusivos.
Até lá, ouça aqui a Moreno FM, com uma seleção musical de primeiríssima.
Feliz Ano Novo e bom final de semana a todos!
1.1.2009
| 17h12m
ANO NOVO?
Não temos nada a ver com isso...
HÉLIO CHAVES
José e Maria - vamos chamá-los assim - moram há anos num ponto valorizado de Brasília. A “casa” fica próxima de grandes conglomerados empresariais, bancos, hotéis, shoppings, hospitais e escolas. Mas eles certamente não têm acesso a tudo isso. A praça dos três poderes, que abriga o Executivo, o Legislativo e o Judiciário pode ser vista da “janela” deles.
O lar tem paredes de papelão e pode ser adaptado de acordo com a necessidade, ao sabor dos ventos ou da chuva. Na sala, o sofá duro e frio, é o banco herdado do ponto de ônibus desativado que os abriga. A cozinha fica do outro lado da rua debaixo de um arbusto. O teto é azul, quando não chove. O fogão é feito com duas pedras postas lado a lado. Utensílios domésticos? Nem pensar!
O casal deve cozinhar um prato por vez, ou tudo junto, mas pelo visto não há variedade. As janelas e portas estão sempre abertas. Eles não devem temer roubos - será que quem não tem, não tem medo? Parece que o maior perigo por ali é de um acidente ao cruzarem a rua em meio aos carros, para ir de um cômodo ao outro - José e Maria consomem bebida alcoólica, talvez para aquecer ou esquecer, como tantos.
Um vizinho “flanelinha” que trabalha no estacionamento ao lado comenta: Às vezes rola uma DR - discussão da relação. Os dois são arredios, a diversão e companhia são dezenas de pombos que catam migalhas ao redor. As faces trazem marcas do tempo. Parece que só querem que os deixem em paz "não sabem que já foram deixados". Por sorte, ainda não foram despejados pelo governo local.
As pessoas passam como formigas, mas José e Maria são invisíveis para elas. Enquanto isso, no centro do poder, grandes decisões são tomadas, guerras jurídicas são travadas, conchavos políticos são feitos e refeitos e parlamentares se revezam numa batalha canibal das tribunas do Senado Federal e Câmara dos Deputados. Mas isso é uma outra história. O que o José, a Maria e nós temos a ver com isso?
A saga do casal não é tão diferente de muitas outras. As chances dos Josés e das Marias do Brasil, talvez esteja em parte do discurso feito por Tancredo Neves em 1985: “Enquanto houver, neste país, um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa".
Pelo menos de discursos repetitivos e intermináveis, acredito que os Josés e as Marias, já devem estar fartos.
Feliz 2009!
Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo.
31.12.2008
| 23h05m
ENTREVISTA
Novo prefeito de BH assume sem temer impacto da crise
O cenário de aperto provocado pela crise financeira global assusta, mas não baixa as expectativas de uma gestão de sucesso entre os novos prefeitos que assumem hoje. Cada um tem um desafio diferente e uma receita própria para driblar o aperto que se anuncia ainda maior nesse 2009.
Resultado de uma delicada e insólita aliança entre o PSDB do governador Aécio Neves e o PT do ex-prefeito Fernan-
do Pimentel, o socialista Márcio Lacerda (PSB) é um dos mais animados. O quadro da prefeitura de Belo Horizonte foge á regra e é um dos mais promissores. Ele diz que recebe as contas arrumadas e sem crise e será uma gestão de continuidade.
Ouça abaixo a entrevista da repórter Maria Lima com o prefeito Márcio Larcerda
31.12.2008
| 15h37m
FOTOGALERIA
Palestina protesta em frente a Embaixada de Israel

Colônia palestina protesta em frente a Embaixada de Israel em Brasília, contra os bombardeios na faixa de Gaza. Durante a manifestação, houve desentendimento entre simpatizantes do Fatah e do Hamas.
31.12.2008
| 13h37m
CULTURA
Música: A Patrona da Harmonia Celestial
POR THEOFILO SILVA
“... embora a música tenha constantemente um encanto particular para transformar o mal em bem, provocando o bem no mal”. É assim que pensa Orsino na comédia Medida Por Medida, pensamento com o qual eu também concordo. Das trinta e oito peças escritas por Shakespeare, somente em uma delas não encontramos música. A Comédia dos Erros. Nas demais, tanto existem canções como ele fala do prazer de se ouvir música. No total são registradas 118 canções em sua obra. Quem sabe se Shakespeare, se tivesse vivido em nossa época, não teria se metido com música também.
Mais de três quartos de sua obra é escrita em versos, ou seja, é pura poesia. Fato que vem a comprovar a sua preocupação com a harmonia, a razão de ser da música. Nos dias de hoje, fica até difícil imaginarmos peças de teatro escritas em forma poética, mas é assim que sua obra é. Essa realidade acabou transformando suas peças numa gigantesca fonte de inspiração para um grande número de músicos. Na realidade suas obras inspiraram mais de duas centenas de óperas e uma infinidade de adaptações musicais. Grande parte dos grandes compositores clássicos, tais como, Tchaikovsky, Purcell, Rossini, Wagner, se utilizaram de suas obras para escrever músicas. Dizem que Verdi – autor de três óperas shakespearianas – tinha dois livros de cabeceira, a Bíblia e a obra de Shakespeare. Quase ninguém sabe que a marcha nupcial tocada em quase todos os casamentos se chama Sonho de Uma Noite de Verão, da autoria de Mendelssohn, um fanático por Shakespeare. A quantidade de musicais também é gigantesca, e vem desde sua própria época. Os séculos XIX e XX foram os mais prolíficos, sendo Romeu e Julieta (no musical West Side History) e A Megera Domada (Kiss me Kate) os que obtiveram maior sucesso.
A Inglaterra em que Shakespeare viveu era cercada de excelente música, mesmo sendo a Itália o maior celeiro musical da Europa, o século XVI foi o século da música na Inglaterra. Digo tudo isso para lembrar que qualquer diretor de teatro que, ao fazer montagens ou adaptações das peças de Shakespeare, não levar em conta a música como um dos itens principais estará incorrendo num erro irreparável.
Quero ressaltar que Shakespeare prezava por demais o ser humano, por isso deu voz a todos eles, do mais humilde empregado de taverna ao mais pomposo dos reis, mas ele, com certeza, desconfiava das pessoas que não gostavam de música. E diz isso pela boca do infeliz e destronado rei Ricardo II, “como é desagradável a doce música quando não se contam bem os tempos e não se observa o compasso! O mesmo acontece com a música da vida humana.” Assim, para Shakespeare, “a música é a patrona da harmonia celestial”.
Theofilo Silva é criador e presidente da Sociedade Shakespeare de Fortaleza - CE
31.12.2008
| 12h54m
ORIENTE MÉDIO
Lula critica Estados Unidos e a ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que solicite ao primeiro-ministro da França, François Fillon, uma reunião de emergência para discutir os ataques na Faixa de Gaza. Lula críticou a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) no conflito e também o presidente dos Estados Unidos, George Bush.
“Nós do Brasil vamos trabalhar para fazer um esforço grande junto aos outros países, para ver se a gente encontra um jeito daquele povo parar de se matar, de se violentar, porque também não pode apenas os Estados Unidos ficar negociando, porque já provou que não dá certo”, disse.
Sobre a ONU, o presidente afirmou: “O que está provado é que a ONU não tem coragem de tomar uma decisão e colocar paz naquilo lá. E não tem coragem porque os Estados Unidos têm o poder de veto, portanto, as coisas não acontecem”. (Agência Brasil) Saiba mais sobre o assunto: Lula manda Celso Amorim convocar reunião para mediar conflito entre Israel e Hamas.
Ouça a informação abaixo.
31.12.2008
| 11h16m
MOMENTO MUSICAL FIM DE ANO
Dias Melhores - Jota Quest
31.12.2008
| 9h56m
OPINIÃO
Universo em desencanto
ZUENIR VENTURA
Pelo menos no quesito originalidade, 2009 já conquistou um prêmio. Nenhum outro ano foi tão mal falado antes de começar quanto ele está sendo. Decretou-se por antecipação que ele será péssimo. A moda é maldizê-lo a priori. Ele é apresentado não como um ano, mas como ameaça, como fantasma. Se 2008 foi o ano da quebradeira monumental, o próximo vai ser o do desemprego em massa, da queda vertiginosa do consumo, das assustadoras rimas em ão — inflação, estagflação, recessão nos EUA, na Europa, no Japão, em países emergentes. Não apenas o fim do império do mercado, mas o fim do mundo.
Não são palpites nem apostas, é a certeza de que ele vai ser muito pior do que 2008, que parece dizer aos que estão reclamando dele: "vocês não perdem por esperar, não viram nada". Será que vai ser assim mesmo? De qualquer maneira, é preferível uma expectativa ruim não confirmada do que o contrário. O mal das previsões pessimistas é que, mesmo sem sentir, os que gostam de fazê-las acabam por torcer para que elas se realizem. Afinal, quem não quer ter razão? Há um prazer masoquista em poder afirmar depois: "eu não disse?"
Como se sabe, os economistas são ótimos profetas do passado. Se dependesse de suas projeções, não teria havido crise, falência de grandes bancos e nem Barack Obama teria sido eleito. Eles costumam adivinhar com grande precisão não o porvir, mas o que já veio. Desta vez, nem isso. Uma amiga que vive em Nova York me dizia esta semana, ao passar pelo Rio, que o pior da crise financeira atual não é o desconhecimento do que vai acontecer: "é que não se sabe direito nem o que aconteceu". Sob efeito pós-traumático, todo mundo ainda está meio perplexo, buscando causas e explicações, tentando inventar soluções e achando que daqui para a frente só sobrarão os escombros da tragédia. As coisas só não vão estar muito piores porque existe Barack Obama. Nesse universo em desencanto, ele é a única esperança, a salvação, e não apenas para os EUA. Falta combinar com ele.
Pequena amostra de como o nosso magistério é tratado. Recebo de uma professora o anúncio de quatro concursos recentes: de técnico bancário para o Banco Central (salário de R$4.997). De agente administrativo da Polícia Federal (R$2.656 por mês). De assistente técnico da Procuradoria Geral do Estado (R$2.389). E de professor estadual (salário: R$607). Dos quatro, o que menos remunera é o que não abre mão da formação superior: Ela pergunta: "Quem vai se sentir atraído por uma carreira que exige nível superior e paga quatro vezes menos do que outra que só pede ensino médio?"
Merecido o puxão de orelha que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil aplicou na Justiça, ao afirmar que o caso Bateau Mouche "afunda a credibilidade do Poder Judiciário". De fato, amanhã, a impunidade festeja 20 anos da morte criminosa de 55 pessoas.
Texto publicado no Globo de hoje.
30.12.2008
| 17h47m
SENADO
Pauta de votações de 2009 começa trancada
No próximo dia 3 de fevereiro, será realizada a primeira sessão deliberativa do Plenário do Senado Federal em 2009. A pauta de votações começa obstruída pelo projeto de lei de conversão (PLV) 31/08, proveniente da Medida Provisória (MP) 445/08, a terceira editada pelo Poder Executivo para amenizar os efeitos da crise financeira internacional no Brasil. O PLV dispõe sobre a dispensa de recolhimento de parte dos dividendos e juros sobre capital próprio, no período de 2008 a 2010, pela Caixa Econômica Federal, com objetivo de manter o acesso ao crédito para empresas do ramo da construção civil e, com isso, contornar seqüelas da crise financeira.
30.12.2008
| 12h51m
MOMENTO MUSICAL
Alegria, alegria - Roberto Carlos e Caetano Veloso
30.12.2008
| 11h41m
CARNES
Rússia e UE: diálogo no comércio de carnes
Embargo no agronegócio é expressão do passado, no que diz respeito à relação do Brasil com Rússia e União Européia. A palavra atual é diálogo, principalmente quando se trata de mercados tão exigentes. O comércio de carnes, que passou por problemas com os países europeus, foi restabelecido graças ao trabalho intenso do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A Rússia, que individualmente é o principal comprador do produto, em especial de suínos, voltou a importar de maneira significativa do Brasil e a UE, que liderava as importações da carne nacional até o ano passado, suspendeu o embargo realizado por conta da exigência de rastreabilidade, ainda no primeiro semestre de 2008.
Atualmente, todos os estados que fazem parte da área livre de febre aftosa estão habilitados para vender carne à Rússia. Em fevereiro, o chefe do Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário daquele país, Sergey Dankvert, esteve no Brasil com sua equipe para conhecer o sistema de defesa agropecuária nacional e, na ocasião, elogiou o empenho brasileiro na resolução das questões pendentes. E afirmou: “o mais importante é solucionar problemas, sem escondê-los, mantendo o relacionamento normal entre parceiros”.
30.12.2008
| 10h15m
EDUCAÇÃO
Lula volta a lamentar falta da CPMF
Presidente Lula sancionou lei que cria 38 institutos federais de educação. Ele elogiou o papel do Congresso, mas voltou a lamentar a falta da CPMF. “Não teve uma matéria importante, na área de educação, que mandamos pro Congresso que não fosse aprovada quase por unanimidade. Só tivemos o percalço na questão da CPMF, que um dia a história vai julgar...”, afirmou.
Ouça as informações.
30.12.2008
| 9h47m
OPNIÃO
Aprender a gostar dela
Luiz Garcia
Vocês que leram o "Memorial do Convento", de José Saramago, tiveram alguma dificuldade em gostar daquela maravilha de romance, por culpa da ortografia portuguesa? Culparam-na por terem estimado menos outros livros dele?
Pela facilidade com que aqui se apreciam autores portugueses, e além-mar os nossos, certamente não é por aí que se justifica a reforma ortográfica. Inclusive, e quase ninguém fala nisso, porque a padronização na grafia das palavras na verdade mexe em detalhes.
O fundamental, que é o seu significado, permanece intocado. Nem poderia ser diferente: imaginem a dificuldade para acostumar um lisboeta a deixar de chamar meninos de "putos". Ou para convencer brasileiros a adotarem esse significado.
Para as editoras, a reforma é um pesadelo. Dificilmente escritores estabelecidos conseguirão fazer a transição em seus originais. A sujeição às novas leis da escrita cairá sobre os ombros dos editores. Que já estarão assoberbados com a adaptação de suas reedições.
A mudança, dizem, tornará mais fácil a exportação de obras de um país para outro. É mais esperança, ou palpite, do que certeza. Não foi testada até hoje — nem se saberia como fazê-lo — a possível mudança na aceitação, por exemplo, de uma obra brasileira em Angola, ou vice-versa.
Uma padronização semântica talvez tivesse algum efeito. Mas isso seria tão impossível quanto indesejável: mexe com as raízes culturais.
Nos Estados Unidos, disse o professor Higgins à florista Eliza Doolittle, "não se fala inglês há anos". A estocada saiu da cabeça ilustre de George Bernard Shaw, há quase 200 anos, mas continua valendo. Deixando de lado o exagero irônico, registre-se que a maior parte das diferenças entre o inglês britânico e o americano são semânticas e não ortográficas. De qualquer maneira, ninguém, dos dois lados do Atlântico, jamais pensou em padronização de qualquer natureza.
Semântica e ortografia são farinhas de sacos muito diferentes. Mas, se o intercâmbio literário não dá bola para diferentes significados, fica difícil apostar que será positivamente afetado por uma padronização ortográfica.
No entanto, depois de uma gestação de 18 anos, cá a temos, como se diz em Portugal. O senso comum talvez desconfie que gestação tão longa assim pode ser, em si, prova de que a reforma não era tão necessária quanto dizem.
Mas ela está aí, vigente — trabalhosa para todos os que vivem da palavra escrita, talvez fatal para editoras modestas, que dependem de reedições.
Do universo escolar, há poucas notícias. Nenhuma autoridade até agora revelou como será, quanto tempo vai durar e qual será o custo da adaptação do ensino do português nas escolas públicas e particulares. Os arquitetos da reforma, nas quase duas décadas de sua gestação, não se preocuparam com isso. Há apenas um prazo, até 31 de dezembro de 2012, para a implantação universal da reforma. Pode ser suficiente, por exemplo, para a mudança de nomes e produtos na indústria e no comércio. Quem sabe, sejamos otimistas, também na área dos livros didáticos.
Mas ninguém se arrisca a prever quanto tempo o povo, das crianças a quem já saiu da escola, levará para aprender a grande novidade. E para gostar dela.
Texto publicado no Globo de hoje.
30.12.2008
| 9h39m
DIÁRIO OFICIAL
Publicado decreto que define valor de títulos públicos
Está publicado em edição extra do Diário Oficial da União, com data de ontem , o decreto que institui o Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE). A Lei n.º 11.887, da última quarta-feira (24), que criou o Fundo Soberano, já previa a regulamentação do fundo fiscal.
Com a norma, o governo definirá o valor e a forma das emissões de títulos públicos que somarão R$ 14,2 bilhões. O dinheiro servirá para financiar o Fundo Soberano, poupança equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), que poderá ser usada para aquecer a economia em momentos de crise.
Cabe ao Ministério da Fazenda, de acordo com o decreto, tomar as medidas necessárias para integralização das cotas do fundo fiscal.
Agência Brasil
29.12.2008
| 10h47m
OPNIÃO
Feliz ano-novo
Paulo Guedes
Écruel a avaliação do biólogo Richard Dawkins: "Neste universo de cegas forças físicas... algumas pessoas vão se ferir, enquanto outras terão sorte. E você não encontrará razão ou justiça nisso. As propriedades que observamos são as de um universo em que não há projeto, nem propósito, nem bem, nem mal. Nada além de uma impiedosa indiferença." E fulmina o físico Steven Weinberg: "Quanto mais compreendemos o universo, mais ele parece não ter sentido."
Por essa descrença, "os cientistas modernos iriam para o primeiro círculo próximo à entrada do inferno de Dante, reservado às pessoas de boa índole, como Aristóteles, que todavia não alcançaram Deus", adverte o físico Michio Kaku, em "Universos paralelos" (2005). E nos portões do inferno está escrito: "Deixai toda a esperança, vós que entrais!", lembra-nos Oscar Dias Correia, em "Viagem com Dante" (2005).
Mas "a transitoriedade de nossa existência de forma alguma retira seu significado. Ao contrário, torna-se um incentivo para nos dedicarmos com toda a intensidade a nossas transitórias possibilidades de realização", registra Viktor Frankl, em "Em busca de sentido" (1959). "Esquecemos com freqüência de celebrar quão preciosas são a vida e a consciência. O real sentido da vida é justamente criarmos nosso próprio significado para essa existência. Nosso destino é esculpir nosso futuro. Deveríamos desenvolver nossos talentos ao máximo, aperfeiçoando habilidades em busca de nossos sonhos. Freud ressaltou o amor e o trabalho em nossa busca de sentido para a vida. O trabalho traz o significado da responsabilidade e cooperação com os demais, o esforço em busca de sonhos comuns. E sem amor estamos perdidos, somos vazios, andarilhos sem raízes, insensíveis aos semelhantes", observa Michio Kaku.
Entramos em 2009 sob a cega e impiedosa indiferença de um universo econômico em crise preanunciada nesta coluna. Em 18/04/05: "Uma visão cor-de-rosa inspirou os mercados financeiros globais: o paradigma do universo econômico em permanente expansão. Juros muito baixos levaram o consumidor americano ao endividamento excessivo e à bolha imobiliária, encharcando de crédito a economia global." Em 19/03/07: "Está em curso importante mudança no ambiente econômico global. As torneiras da liquidez estão sendo fechadas. O desaquecimento já está encomendado." Em 06/08/07: "A crise agora é mais complexa. A contaminação dos mercados de crédito e a desalavancagem são fenômenos cataclísmicos no mundo das finanças. São a matéria-prima das grandes crises históricas. O 'crash' nas bolsas fere, mas o 'crunch' no crédito mata." Em 07/01/08: "Estréia o mais longo episódio da série 'Desaquecimento global'."
No Brasil, para 2009 e além, o sentido de nossos esforços, como uma economia de dimensões continentais, é esculpir nosso próprio futuro com base em uma dinâmica de crescimento do mercado interno.
Texto publicado no Globo de hoje.
29.12.2008
| 10h23m
CAFÉ COM PRESIDENTE
Presidente Lula faz balanço positivo de 2008
Ao fazer um balanço de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o ano foi bom, mas não ótimo para o brasileiro e que, no período, o país cresceu “economicamente” e “fortemente”. Ele disse que, até o dia 20 de janeiro, vai apresentar novas propostas de incentivo ao crescimento econômico e que o governo “não vai ficar esperando” que os “efeitos perversos” da crise abalem o país.
Durante seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula lembrou a criação de quase 2,2 milhões de empregos até outubro passado, o que, segundo ele, gerou mais renda e possibilitou o crescimento do comércio.
“Significa que o Brasil teve um ano bom. Não vou dizer ótimo, mas um ano bom. Apenas no último trimestre é que nós tivemos um problema – já resultado da crise mundial – muito mais por falta de crédito internacional.”
Ouça a íntegra do programa.
Histórico
2009:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2008:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2007:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2006:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2005:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
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