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   Rio, 7 de janeiro de 2009
Enviado por Paulo Senna -
4.1.2009
| 19h02m
Paulo Senna

Água Viva

 


"Menino do Rio/ Calor que provoca arrepio/ Dragão tatuado no braço/ Calção corpo aberto no espaço/ Coração, de eterno flerte/ Adoro ver-te.../ Menino vadio/ Tensão flutuante do Rio/ Eu canto prá Deus/ Proteger-te.../ O Havaí, seja aqui/ Tudo o que sonhares/ Todos os lugares/ As ondas dos mares/ Pois quando eu te vejo/ Eu desejo o teu desejo.../Menino do Rio/ Calor que provoca arrepio/ Toma esta canção/ Como um beijo..." 


Quando a gente escuta a música “Menino do Rio”, de Caetano Veloso, cantada por Baby Consuelo, lembra logo da novela "Água Viva", de Gilberto Braga, exibida pela Rede Globo em 1980. Era uma novela charmosa recheada de bons personagens, que mostrava a vida da classe rica à beira-mar, que segurou o telespectador do primeiro ao último capítulo. Aliás, a novela incentivou a prática do esporte, assim como valorizava a cidade do Rio de Janeiro em vários aspectos.


A partir do capítulo 57 Gilberto Braga contou, a seu pedido, com a colaboração de Manoel Carlos que assumiu a co-autoria da trama.


A história girava em torno de Maria Helena (Isabela Garcia), uma pequena órfã que ligava todos os personagens. Atingindo a idade de ser transferida para outro orfanato, a menina se sentia insegura e 



amedrontada. Era um mundo novo, completamente desconhecido, que a espera. Sua única amiga era Suely (Ângela Leal), uma assistente social, que descobriu o seu pai, Nelson (Reginaldo Faria), irmão do famoso cirurgião plástico Miguel Fragonard (Raul Cortez), que perdera a mulher Lucy (Tetê Medina), no início da trama, e era o pai de Sandra (Glória Pires), ele não aceitava o estilo de vida do irmão, um campeão de pesca bem relacionado que nunca trabalhou e que vivia de renda.



Enquanto isso, a jovem Janete não se conformava em ver os pais, Evaldo (Mauro Mendonça) e Wilma (Aracy Cardoso), sustentados pela tia solteirona Irene (Eloísa Mafalda).


Janete acabou se apaixonando por Marcos (Fábio Jr.), mas teria que enfrentar a ferrenha oposição da megera aristocrática Lourdes Mesquita (Beatriz Segall), a mamãe de Marcos, que desejava ver o filhinho casado com Sandra. A vilã, ainda por cima, detestava o genro Edir (Cláudio Cavalcanti), marido de sua filha Márcia (Natália do Valle), ocasionando diversos problemas conjugais.


Lourdes era bem diferente de Stella Simpson (Tônia Carrero), que era uma milionária divertida e excêntrica, bem relacionada e que escondia sua difícil situação financeira com muita alegria e era grande amiga de Miguel e de Jojô Besançon (Henriette Morrineau, em curta participação). Stella Simpson foi, para Tônia, o seu melhor papel em TV.


Curiosamente essa não era a personagem que inicialmente lhe estava destinado. Ela iria fazer Lourdes. Graças à troca, Beatriz Segall, fez sua primeira grande vilã na TV.


Havia ainda duas histórias de amor que chamaram a atenção: o romance entre Irene (Eloísa Mafalda) e Marciano (Francisco Dantas), duas pessoas solitárias que viviam um amor maduro.


Enquanto isso se desenrolava o drama de Lígia (Betty Faria), mulher rica e interesseira, casada com o banqueiro Heitor (Carlos Eduardo Dolabella), homem apaixonado por pesca em alto-mar e amigo de Nelson. Lígia passava por um período de crise com o marido e se apaixonou por Nelson, o oposto do tipo de homem que sempre procurou.


Era amor à primeira vista. Ela não sabia quem ele era na verdade, mas encantava-se com sua aparência de homem rico. Este, por sua vez, ocultava a sua real condição financeira.


Já Miguel, sem saber da ligação do seu irmão com Lígia, também se apaixonou por esta. E aí começa uma enorme disputa entre os dois. Nesse momento, a órfã volta a entrar em cena, já que Lígia descobre que a garota é filha de Nelson e resolve adotá-la sem ele saiba.


Porém, Miguel acabou assassinado, criando-se um mistério que ajudou a manter a audiência. Uma pergunta que parou o país naquele ano: quem matou Miguel Fragonard? A revelação seria dada no último capítulo. Foi Kleber, vivido por José Lewgoy. 



Curiosidades:


- Gilberto Braga homenageou a grande novelista e mestra Janete Clair ao batizar a personagem de Lucélia Santos com o seu nome.


- Marcante a cena em que Lígia se fecha com Selma (Tâmara Taxman) num banheiro e lhe dá uma surra de tirar o fôlego.


- No capítulo 39, foi ao ar (implicitamente) o primeiro baseado da TV brasileira! O personagem Alfredo, vivido por Fernando Eiras, enrolou tranquilamente seu cigarro de maconha. No script o autor indicava apenas "Alfredo arrumando alguma coisa!".


- Enquanto as atrizes, Tônia Carrero, Glória Pires, Maria Zilda e Maria Padilha passaram por uma situação curiosa na história. Elas foram escaladas para uma externa, que teria como cenário o Posto 9, em Ipanema, as atrizes gravariam uma cena onde seus personagens simulavam um topless, utilizando apenas um par de adesivos para cobrirem os seios. Mas a reação dos curiosos de plantão ao ato foi repreender as atrizes: "Quando os curiosos perceberam que faríamos topless, nos expulsaram da praia jogando latas e areia", lembrou Maria Padilha. Resultado, a cena teve que ser gravada em São Conrado.


No elenco, entre outros, os atores Jacqueline Laurence, Kadu Moliterno, Arlete Salles, Jorge Fernando, Maria Padilha, Maria Zilda Bethlem, Clementino Kelé, Maria Helena Dias, Nildo Parente e Terezinha Sodré.


Que saudade dessa novela!




Enviado por Paulo Senna -
28.12.2008
| 17h28m
Paulo Senna

20 Anos sem Yara Amaral

 

Há 20 anos, o Brasil perdia num trágico acidente de Iate, aos 52 anos de idade, a atriz Yara Amaral, uma das maiores atrizes brasileira, no auge de sua carreira.

É muito difícil quando se vai escrever, apesar de ser uma obrigação de todos os jornalistas, separar o racional do emocional, principalmente, quando se conheceu a pessoa, como neste caso.

Eu estava saindo da praia do Arpoador no dia 1 de janeiro de 1989, quando um amigo chegou trazendo o jornal com a triste notícia do jornal:

“A grande atriz de teatro e TV Yara Amaral, que tinha acabado de gravar as suas últimas cenas da novela Fera Radical, na Rede Globo, teve um desfecho trágico neste réveillon, no Rio de Janeiro. O barco Bateau Mouche IV afundou na Baía de Guanabara quando se dirigia com um grupo de turistas para assistir do alto mar o espetáculo da queima de fogos na praia de Copacabana. O barco não tinha condições mínimas de segurança para navegar com a quantidade de pessoas que levava, muito menos numa noite de mar agitado e violento”.

Eu ainda ponderei, mas há sobreviventes, pode ser que ela seja um. Afinal, ela gostava de ver o mar, mas tinha medo dele. Então, pode ter desistido de embarque no barco.

Mas meu amigo foi enfático, acabo de ver no telejornal da Globo e o corpo já foi encontrado. O velório será no hall do Teatro dos Quatro. Ironia, ela estava em cartaz neste Teatro com a pela Filomena 

Marturano, que assisti quatro vezes. Então, ao chegar ao Teatro, vi escrito “Yara Amaral em Filomena Marturano”, mas no hall, coberta de flores, a atriz fazia sua última cena. Desculpem, por estar falando de um assunto tão triste, mas é preciso lembrar.

Agora, vamos falar de seus trabalhos.

Yara Amaral começou sua carreira em São Paulo, em 1962. No mesmo ano, entrou para a Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD), onde se forma em 1965, quando estreou profissionalmente na peça “Hedda Gabler”, de Ibsen.

Em 1966, passou pelo Teatro de Arena onde, interpretando um pequeno papel em “O Inspetor Geral”, de Gogol, é aplaudida em cena aberta.

Mudando-se para o Rio de Janeiro, participa do Grêmio Dramático Brasileiro, de Aderbal Freire Filho, destacando-se na peça “Réveillon”, de Flávio Márcio, 1974.

No mesmo ano, protagoniza outro ambicioso espetáculo experimental, “Avatar”, de Paulo Afonso Grisolli, dirigido por Luiz Carlos Ripper.

Pelo conjunto desses dois trabalhos ganha seu primeiro Prêmio Molière.

Contracena com Fernanda Montenegro em “A Mais Sólida Mansão”, de Eugene O'Neill, em 1976; e tem expressivo desempenho em “Os Filhos de Kennedy”, em 1977.

No ano seguinte, participa do elenco de “Os Veranistas”, de Gorki, espetáculo inaugural do Teatro dos Quatro.

Ganha seu segundo Prêmio Molière protagonizando uma comédia inconseqüente, “Eu Posso?”, de Reinaldo Loy (1982).

Em 1983, volta ao Teatro dos Quatro, para fazer Goneril na montagem de “Rei Lear”, de William Shakespeare, dirigida por Celso Nunes. Desde então se torna atriz convidada permanente do Teatro
 dos Quatro, onde fez um trabalho por ano, sempre em papéis de peso: “Assim É... (Se Lhe Parece)”, de Luigi Pirandello (1984); “Sábado, Domingo e Segunda”, de Eduardo de Filippo (1986), um desempenho comovente, premiado com o seu terceiro Molière; o monólogo “Imaculada”, de Franco Scaglia (1986); “Cerimônia do Adeus”, de Mauro Rasi (1987); e o papel-título em “Filomena Marturano”, de Eduardo De Filippo (1988), que foi sua última peça.

Yara atuou, também, em papéis de destaque em várias telenovelas, como “A pequena órfã” (Excelsior), “E nós, aonde vamos?” (Tupi), "Dancin Days", "O amor é nosso", "Sol de verão", "Guerra dos sexos", "Um sonho a mais", "Cambalacho", "Anos dourados" e "Fera radical", sua última novela. 



No cinema estreou em 1975 com "O rei da noite" de Hector Babenco e fez outros filmes importantes como "A Dama do lotação", "Mulher objeto" e "Leila Diniz".

Foi casada com Luís Fernando Goulart e deixou dois filhos, Bernardo e João Mário. Os culpados pelo acidentes foram punidos e indenizaram os familiares ou fugiram para outro país?

Leia matéria do jornal O Globo, de hoje: "Considerado o exemplo mais emblemático da fragilidade do sistema judiciário brasileiro, o naufrágio do Bateau Mouche IV completa 20 anos dia 31 de dezembro, sem que nenhum dos acusados tenha cumprido pena nos dois processos penais resultantes da tragédia que matou 55 pessoas.

Nem a ação criminal movido pelo Ministério Público Federal - que condenou, em 2002, seis empresários por crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica e falsificação de documentos a 18 anos e quatro meses de prisão e a ressarcir aos cofres públicos, mas de R$ 4 milhões - teve qualquer efeito prático: de dez réus inicialmente acusados, quatro tiveram as penas prescritas antes do julgamento e dois estão foragidos. Outros quatros réus aguardam em liberdade o julgamento de recurso pelo pleno do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2 Região, deverá acontecer em 2009. Nenhum centavo foi recolhido à Receita Federal. Dos mais de 80 processos de indenização a vítimas e familiares apenas um chegou ao fim e quem pagou a conta foi a União”.

Gente, vamos lembrar-nos das coisas importantes. Mesmo que elas sejam tristes, para que episódios como esses não se repitam. 

O crítico teatral Yan Michalski avaliou seu trabalho, depois da morte da atriz: "A carreira de Yara Amaral foi, como poucas, a de uma batalhadora que, por um lado, esteve sempre disposta a lutar pelos interesses do teatro em várias frentes; e, por outro, no seu ofício de atriz foi construindo obstinadamente um instrumental cada vez mais sólido. Na reta final da sua trajetória encontrou, nas mammas italianas, um filão interpretativo particularmente condizente com o seu temperamento, sem por isso limitar seu talento a um tipo estratificado. O fato de ter sido, nessa época, uma das poucas atrizes a ser seguidamente convidada para papéis de protagonista sem ser dona ou sócia de uma companhia atesta bem o prestígio de que gozava no meio".

Pois é, 20 Anos sem Yara Amaral. Que saudade. Mas a vida continua...

Obrigado a todos os leitores do meu Blog Nostalgia que me honrraram com seus comentário, críticas e sugestões.

Feliz 2009!


Enviado por Paulo Senna -
21.12.2008
| 23h57m

A Feiticeira

 


A série americana “A Feiticeira” é do tempo da TV com tubo, aquela que tínhamos que colocar esponjas de bom bril nas antenas para melhorar a imagem do televisor.



Quando assistia, ficava esperando a entrada de Endora (Agnes Moorehead), a mãe de Samanta, a Feiticeirinha que todas as crianças gostavam quando mexia com o nariz para fazer algum truque.



Mas Endora era especial. Suas roupas eram sempre lilás, com detalhes em verde-limão. Os cabelos, ruivos de arder os olhos, eram armados à base de muito laquê. Com esse visual espalhafatoso, a atriz veterana Agnes popularizou-se no mundo todo como Endora, a bruxa. 



Mas a série mostrava o dia-a-dia de uma família americana de classe média formada pela bela Samantha (Elizabeth Montgomery); seu marido Darrin (Dick York – 1964 a 1969/e Dick Sargent – 1969 a 1972), no Brasil, seu nome foi trocado para James, pois a pronúncia soava melhor, um publicitário; e os filhos, Tabatha e Adam.



Nada de mais haveria se Samantha não fosse uma feiticeira poderosa, que se casara com um mortal e fez a opção pessoal de viver feliz ao lado do marido sem fazer uso de seus poderes. Só que, com as muitas confusões provocadas por seus familiares bruxos - em especial a mãe, a adorável Endora, que não se dava bem com o genro, apelidando-o inclusive de Dumbo, por causa de suas orelhas (como também o apelida de Jonathan) -, Samantha acaba tendo 



sempre que mexer seu nariz e libertar o poder para resolver as diversas situações, em suas maiorias cômicas.


Outros personagens importantes na série são o volúvel patrão de Darrin, Larry Tate (David White), sócio da agência McMann & Tate; o pai de Samantha, Maurice (Maurice Evans); o tio palhaço, Arthur (Paul Lynde); a tia Clara (Marion Lorne), boazinha e atrapalhada; a não menos atrapalhada babá Esmeralda (Alice Ghostley); e o médico especial dos feiticeiros, Dr. Bombay (Bernard Fox); Serena, uma tresloucada prima de Samantha idêntica a ela; e é claro, Endora.


Curiosidades: no Brasil, a série estreou na TV Globo em 1965, passando depois pelas TVS Excelsior, Record, Bandeirantes e RedeTV. Atualmente, a série é exibida na TV paga, pelo canal Nickelodeon, no bloco noturno Nick at Nite.


É importante saber que as duas primeiras temporadas foram produzidas em preto-e-branco, colorizadas depois por computador.


Já o ator Dick York, que interpretou Darrin (James, no Brasil), o marido da feiticeira, teve de ser substituído por seu xará Dick Sargente porque sofria de terríveis dores na coluna, que podiam ser aliviadas com remédios, mas que às vezes eram tão violentas que impossibilitavam o ator de filmar os episódios. A troca de intérpretes do protagonista masculino foi feita sem qualquer aviso aos telespectadores.


A estrela da série, Elizabeth, e o produtor, William Asher, eram casados. Conta-se que certa vez, quando Elizabeth estava caracterizada como Serena, a sensual prima de Samantha, depois da filmagem os dois foram direto para um quarto, sem que a atriz se desfizesse da roupa da personagem.


Mas o fato é ela ficou marcada para sempre no imaginário do público como a mulher bondosa e linda que se desdobrava para cuidar de uma casa, dos dois filhos, do marido e ainda por cima lidar com uma família de feiticeiros, um mais maluco que o outro.


Mas era muito divertido, temos que concordar.


Enviado por Paulo Senna -
14.12.2008
| 23h15m
Paulo Senna

Tropicaliente (1994)

 

Depois de quatro anos na Rede Record, o ator Márcio Garcia retorna, aos 38 anos, a emissora onde iniciou sua carreira em 1994 na trama de Walter Negrão, "Tropicaliente", exibida às 18h pela Rede Globo. Agora, ele será o protagonista da novela "Caminho das Índias", de Glória Perez, próxima novela das 20h, com estréia prevista para janeiro de 2009.

A história de Negrão mostrava o reencontro de Ramiro (Herson Capri) com Letícia Velasquez (Sílvis Pfeifer), uma antiga paixão de juventude, que era o fato gerador da história. Ramiro era o líder de uma aldeia de pescadores em Fortaleza, no Ceará.

Casado com Serena (Regina Dourado), a companheira de todas as horas, é pais de dois filhos, Cassiano (Márcio Garcia) e Açucena (Carolina Dieckmann).

O rapaz era namorado de Dalila (Carla Marins), filha do grande amigo de Ramiro, Samuel (Stênio Garcia), também pescador, marido de Ester (Ana Rosa), que tinha mais um filho, Davi (Delano Avelar), um jovem que se formou doutor, mas se envergonhava de sua origem humilde.

Letícia era filha do milionário Gaspar Velasquez (Francisco Cuoco), um homem que deixou as empresas nas mãos da filha para curtir a vida. Em casa, Letícia enfrenta problemas de relacionamento com os filhos, Vítor (Selton Mello) e Amanda (Paloma Duarte).

Viúva e charmosa, ela procura um novo rumo para sua vida afetiva. Mas pretendentes não faltam, como o galante François (Victor Fasano), de olho em sua beleza e fortuna. Para conquistá-la, ele tinha o auxílio de Franchico (Cássio Gabus Mendes), um tremendo picareta que tinha uma missão: juntar Letícia e François.

Mas Letícia ficou balançada com o reencontro com Ramiro, a grande paixão de sua vida, o que desencadeou uma série de conflitos, como o namoro de Vítor, o filho de Letícia, um rapaz com sérios problemas psicológicos, com a doce Açucena, a filha de Ramiro.

Mas o grande destaque foi o trabalho da atriz Regina Dourado, como Serena, mulher simples e nordestina, vivia às gargalhadas com os 

filhos e os habitantes da aldeia onde moravam.

No elenco estavam ainda os atores Nívea Maria, Cleyde Blota, Natália Lage, Leila Lopes, Gabriela Alves, João Carlos Barroso, Nelson Dantas, Márcia Barros, Ilva Niño, Daniela Escobar, Giovana Antonelli, Flávio Galvão, Antônio Grassi, Guga Coelho e Bruno Giordano.

Curiosidades: o ator homenageou seu amigo Cassiano Gabus Mendes, batizando o personagem de Márcio Garcia, com seu nome, Cassiano.

Foi também a primeira novela de Giovana Antonelli, Delano Avelar, Carolina Dieckmann e Daniela Escobar, sendo que esta, já havia participado de “A Madona de Cedro”, na mesma emissora, no mesmo ano.

A novela de Walter Negrão não teve grande repercussão, mas o sol, as praias de Fortaleza, as cenas externas nas dunas, deram um clima diferente à história simples do autor.


Enviado por Paulo Senna -
8.12.2008
| 23h37m
Paulo Senna

Tarcísio & Glória (Rede Globo - 1988)

 

Tarcísio Meira e Glória Menezes, hoje, são sinônimos de amor, solidariedade e companheirismo. Além de ser o casal que fizeram o maior número de par romântico da televisão brasileira. Hoje, eles estão juntos na novela "A Favorita", vivendo casais distintos, mas sentindo um amor profundo pelo personagen do outro. Por isso, resolvi fazer esta pequena homenagem.

Em 1988, a Rede Globo produziu um seriado que mostrava o relacionamento entre um empresário corrupto, Bruno Lazzarini (Tarcísio Meira), e uma extraterrestre, Ava Becker (Glória Menezes). Ele era um homem inescrupuloso e conquistador, amante de Carmem (Marieta Severo), mulher de um colega que participava com ele de negociações ilícitas. Bruno tinha uma firma de importação e exportação, mas sobrevivia dando pequenos golpes. Enquanto, Ava era uma cientista do planeta Aurora, lugar onde só existiam mulheres.

Em Aurora, as mulheres só conseguiam se reproduzir utilizando sêmen congelado. A cientista, que era especialista em genética, veio a Terra para estudar a possibilidade de usar homens para perpetuar sua espécie.

A trama começa justamente quando um disco voador deixa Ava em frente ao carro de Bruno, que estava voltando de uma festa numa estrada deserta e ouvindo a música “Strangers in the night”. Ele fica assustado, mas acaba acolhendo a cientista na sua casa.
O humor da história se baseava, exatamente, no confronto entre os dois mundos, as confusões de Bruno e a surpresa de Ava, diante das trapalhadas do empresário.

Outros personagens do seriado eram Oscar (Ricardo Blat), o fiel assessor de Bruno, dona Neném (Zilka Sallaberry), a governanta da mansão do empresário, e Mariana (Natália Lage), afilhada de Bruno e neta de Neném.

No último episódio, “De volta às estrelas”, cinco habitantes do planeta Aurora chegam a Terra para resgatar a companheira e cumprir a missão de colher sêmen humana. As extraterrestres foram protagonizadas por Deise Nunes, Adriana Bôscoli, Isadora Ribeiro, Maria Eugênia e Andréa Hetmaneck.

Elas era as amigas de Ava que estavam dispostas a realizar a “inspeção científica” nos homens na cidade de São Paulo. As aurorianas chegam a atacar o time do São Paulo Futebol Clube.
No último programa, Ava é finalmente seduzida por Bruno. Ela retorna para o seu planeta de origem em condições de evitar a extinção da sua espécie. Nove meses depois, o empresário recebe uma mensagem de Ava pelo computador, dizendo que nasceu o primeiro homem de Aurora, milhões de anos depois dos homens terem sido eliminados por causa de sucessivas guerras no planeta.

Curiosidades: a história se passava em São Paulo, mas as gravações foram feitas na cidade cenográfica de Guaratiba, no Rio de Janeiro. O responsável pelo cenário foi Mário Monteiro. Para criar a residência de Bruno, o cenógrafo reproduziu um casarão do bairro Jardins de São Paulo. Nos estúdios da Renato Aragão Produções, também no Rio, foram montados os interiores da casa.

O programa contou ainda com a colaboração de Danuza Leão como produtora de arte. Já para dar vida a Ava, Glória Menezes teve aulas de expressão corporal com Klaus Vianna, e com a fonoaudióloga Glorinha Beutenmuller para encontrar a voz mais adequada para a personagem. A atriz contou também com a colaboração de Erick Rzepecki (cabelos e maquiagem) e Helena Brício (figurinos).

O seriado da dupla inaugurou uma linha de co-produção na Rede Globo. Além de atores, Tarcísio Meira e Glória Menezes eram também os produtores do programa. Eles negociavam patrocínios e merchandising e tiveram participação nos lucros do empreendimento, inclusive nas vendas do seriado para o exterior.

Criação: Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon.
Autores: Antonio Carlos Fontoura, José Antonio de Souza, Daniel Más, Leopoldo Serran, Denise Bandeira, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Na direção dos 18 episódios estiveram Roberto Talma e José Carlos Pieri.
O seriado foi exibido pela Rede Globo, em 1988, às 21h.



Enviado por Paulo Senna -
7.12.2008
| 19h53m
Paulo Senna

Selva de Pedra

(Foto: Fernanda, Dina Sfat, prende Simone, Regina Duarte)

Houve uma época em que as novelas eram pura FICÇÃO. O autor tinha o direito de soltar sua imaginação e criar a vontade, sem o menor compromisso com a realidade. Hoje, os telespectadores querem verossimilhança.

Janete Clair soltava sua imaginação ao escrever, sem o menor compromisso com a realidade. Ela sempre dizia: “Os ingredientes necessários são amor, aventuras, humor, morte e suspense. Mas não se pode abusar deles. Sei até onde o público suporta uma emoção e é essa medida exata que tem me ajudado. Uma boa novela é justamente aquela bem dosada. Não gosto de cenas longas. Também não se pode abusar da dinâmica. Você joga um impacto na história, mas até onde ele pode ser explorado? Não mais do que em três capítulos. O drama tem que ser entremeado com o riso. Nunca chocar sem na cena seguinte dar uma oportunidade para o público respirar”, ensinava a mestra. 

Em 1972, em “Selva de Pedra”, no primeiro capítulo o público já percebia o clima que a autora adotaria em toda a obra: Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco) batia o bumbo numa praça pública enquanto seu pai Sebastião (Mário Lago) fazia pregações religiosas evangélicas ao lado da mulher Berenice (Ana Ariel) e das filhas Diva (Dorinha Duval) e Zelinha (Tessy Callado), em Campos, no interior do Rio de Janeiro.

Na cena seguinte, uma jovem artista plástica Simone Marques (Regina Duarte) testemunhava a briga entre Cristiano e o playboy Gastão Neves (Jorge Caldas), morto no incidente. Sabendo que Cristiano era inocente, Simone acobertou o rapaz, por quem acabou se apaixonando.

Mas receoso de seu destino, Cristiano parte para o Rio para trabalhar no estaleiro do tio rico, Aristides Vilhena (Gilberto Martinho), e Simone 

vai com ele vislumbrando um melhor futuro para a sua carreira artística. Os dois se casam e vão morar na Pensão Palácio, de propriedade da alegre Fanny (Heloísa Helena), onde conhecem o malandro Miro (Carlos Vereza), uma figura de caráter duvidoso.

Em contato com o universo do tio, Cristiano se vê envolvido com a charmosa Fernanda (Dina Sfat), uma das acionistas do estaleiro, e a noiva do seu primo Caio (Carlos Eduardo Dolabella).

Dividido entre a vida simples ao lado de Simone, e o poder e o dinheiro com Fernanda, Cristiano se deixa levar pelas artimanhas de Miro, que lhe propõe o fim de seu relacionamento com Simone, nem que isto tenha que custar a vida da moça.

Enquanto Fernanda, completamente apaixonada por Cristiano, deixa 

Caio para tentar se casar com ele enquanto Miro planeja a morte de Simone, viabilizando assim o casamento de Cristiano, o que o tornaria um dos principais acionistas do estaleiro. Embora Cris continuasse apaixonado por Simone.

Ferdanda, que não era correspondida em seu amor, seqüestra Simone e a mantém presa numa casa abandonada. Ela desiludida foge, mas é perseguida por Miro numa auto-estrada, sofre um acidente e é tida como morta.

Então, Cristiano ignorando a que sua amada estivesse viva – assim como quase todos os personagens da trama – planeja se casar com Fernanda. 

Porém, os censores do governo Médici proibiram o casamento, pois a censura considerava bígamo o personagem de Cuoco caso ele oficializasse a união com Fernanda.

De nada adiantaram os argumentos de que o rapaz ignorava que sua amada estivesse viva. Os censores foram implacáveis e obrigaram Janete a inutilizar 22 capítulos que já estava escritos a partir do casamento. Mas, sem se abalar, ela escreveu sete novos capítulos naquele fim de semana, reestruturando toda a história. A solução encontrada por ela foi Cristiano abandonar Fernanda no altar, desencadeando uma nova trama de vingança na história. O melhor é que deu super certo. Foi um tremendo sucesso, pois era um momento em que o Brasil precisava de romantismo.

Walter Avancini, que acabara de ser contratado pela Rede Globo, soube extrair maior dramaticidade do elenco, especialmente dos atores de viviam os papéis mais densos, como Dina Sfat, na pele da desequilibrada Fernanda.

Humilhada, ela enlouquece e jura vingança contra Cristiano, atrapalhando-o em seus negócios no estaleiro.

E Simone, que sobreviveu ao acidente, vai para a Europa, assume a identidade da irmã falecida, Rosana Reis, e volta ao Brasil de peruca como uma escultora famosa acompanhada da simpática amiga Beatriz (Hildegard Angel) e, a partir daí, duas mulheres passam a vingar-se
de Cristiano.

Enquanto isso, o delegado Humberto estava no encalço de Cristiano, acusado da morte de Gastão Neves. Mas Simone é a única que podia inocentá-lo. No capítulo 152, em que Rosana seria desmascarada, a novela chegou a atingir 100% de audiência. No final Cris e Simone voltam a se entender como nos duros tempos da vida no interior, mas não eram mais os mesmos. 

Novela de Janete Clair, exibida em preto-e-branco. Na direção dos 243 estiveram Daniel Filho, Milton Gonçalves, Reynaldo Boury e, finalmente, Walter Avancini.

No elenco estavam entre outros os atores Neuza Amaral, Edney Giovenazzi, Arlete Salles, Maria Cláudia, Sônia Braga, Emiliano Queiroz, Álvaro Aguiar, Ângela Leal, Jurena Penna, Suzana Faini, Buza Ferraz, Tamara Taxman e Roberto Bonfim.

A canção “Rock and Roll Lullaby” (tema de Cristiano e Simone), de B.J. Thomas, foi um grande sucesso na época. 

A trama foi reapresentada, mas compactada em 75 capítulos, entre 75 e 76, no lugar da então censurada “Roque Santeiro”, de Dias Gomes.
Enquanto isto, a Globo encomendou uma nova trama a Janete, que escreveu “Pecado Capital”, outro grande sucesso.

Em 1986, foi feita uma nova versão da novela, mas sem o mesmo sucesso.

O SBT adquiriu toda a obra radiofônica de Janete, e a partir de 2009, 35 novelas da autora serão adaptadas e produzidas para a televisão. Sendo que a maioria delas é de obras inéditas na TV, mas há também radionovelas que deram origem a grandes sucessos da televisão brasileira.


Histórico

2009:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez


2008:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez


2007:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez



Sobre o autor:

  • Paulo Senna é repórter do Jornal O Globo e criador da coluna 'Nostalgia', da Revista da TV